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Marrakesh e a cozinha marroquina

8/09/2015
Marrakesh e a cozinha marroquina

Na primeira parte do especial sobre Marrocos, a Revista Digital falou sobre o país, seus principais contrastes, cuidados na viagem e as principais cidades que merecem a visita. Só faltou uma: Marrakesh, a mais incrível de todas pelos aspectos culturais e turísticos. Ainda neste artigo você conhece um pouco mais da cozinha marroquina. Prepare já o chá de menta.

A cidade de Marrakesh

Como toda cidade importante no Marrocos, Marrakesh possui uma medina com ruas tortuosas muito boas para se perder, uma mesquita principal, palácios, diversos minaretes que chamam os muçulmanos para a hora da oração, e, é claro, museus e outras atrações que preservam a história do país e sua tradição. O trânsito dentro da cidade antiga é bem caótico e chega a assustar, mas de alguma forma milagrosa poucos acidentes acontecem.

Dentre as principais atrações para deslumbre de seus olhos estão:

  • Museu de Marrakesh, com obras de arte árabe, joias, cerâmicas etc. No entanto, o maior atrativo mesmo é a arquitetura e decoração deste belíssimo local.
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  • Ben Youssef Madrasa é uma escola fechada para graduados muito qualificados. Outro exemplo em que a decoração será o motivo para pelo menos umas duas horas de caminhadas bem lentas, pois é tudo de mármore italiano, cedro, azulejos zellij etc. Só vendo pra entender.
  • Saadian Tumbs é uma necrópole criada para a família de um antigo sultão, e também é rica em detalhes na decoração. Para fechar a lista de locais de arquitetura impressionate, confira o Palácio Bahia.
  • Jardim Majorelle foi criada nos tempos em que Marrocos era protetorado francês, e fica portanto fora da medina. Trata-se do acervo de Louis Majorelle e sua coleção de plantas e árvores trazidas do mundo todo: China, Brasil, México etc. Um oásis que merece sua visita.
  • a própria medina. Sim, andar pela cidade vai fazer perceber como corre o dia-a-dia dos locais, e você ainda vai se encantar com os diversos tipos de vielas, portas, calçadas, janelas e fachadas típicas.

Bom de barganha? É aqui que você vai descobrir.

O povo árabe em geral tem o comércio no sangue e em Marrakesh isso fica bem evidente. Não só porque ela tem um grande souk com todos os tipos de produtos que você puder imaginar num filme do Alladin, como porque o principal cartão postal da cidade é uma grande praça onde todos se encontram para comprar e vender.

A Praça Jemaa El-Fna funciona a todo o vapor durante boa parte do dia e da noite. São inúmeras tendas e comerciantes que tentam o pão do dia vendendo seus produtos variados por ali. Durante o dia é o melhor momento para tomar um tradicional suco de laranja, comprar ervas, frutos secos e ver malabaristas, artistas de rua, encantadores de serpentes, mágicos e domadores de macacos (ainda que os pobres animais não recebam os melhores tratos). Um alerta: eles esperam receber gorjeta pelas fotos que você tirar, mesmo que seja à distância.

À noite o local fervilha. Parece que todos, de turistas a locais, vão para a praça fazer um social, comer churrasco e festejar. E olha que o muçulmano não ingere bebidas alcoólicas. Muitos restaurantes ficam às margens da praça, e o tempo da refeição é o bastante para observar o quanto que a praça é agitada.

El-Fna fica num ponto estratégico, pois muitas pousadas estão por perto, e a praça ainda liga dois pontos importantes da medina: as entradas dos souks (que aqui é um mercado que se desdobra por inúmeras ruelas semicobertas) e a avenida que leva até a mesquita Koutoubia — que, apesar de muito bela, só permite a entrada de muçulmanos.

Os souks são os mercados compostos por tendas, barracas, estabelecimentos de todos os tamanhos, e que formam um labirinto cheio de gente comprando e vendendo. Tem de tudo: frutas, frutas secas, ervas, especiarias, artesanato em madeira, em couro, em tecido, véus, narguilés, roupas típicas, sapatos, além de souvenires e muitos tipos de quinquilharias. Alguns artesãos confeccionam o produto na hora para provar a habilidade e oferecer um espetáculo a parte. Outra experiência interessante é conhecer uma das farmácias naturais e ter uma aula sobre o poder dos alimentos, ervas e óleos.

Como parte da cultura árabe, os vendedores tentam barganhar sempre, e eles são muito bons nisso, com diversas técnicas de persuasão. Eles vão te empurrar um preço mais alto, você põe um mais baixo, e então pela argumentação (se a comunicação acontecer) vocês vão chegando num preço que esteja justo; para eles, preço justo é o preço que ambos estão de acordo em pagar. É uma experiência divertida, no entanto é aconselhável só barganhar se você estiver mesmo afim de levar o produto. Se não quiser ser abordado por um vendedor negociante, nem perca tempo parado olhando os produtos à mostra.

Passeios extras saindo de Marrakesh

Você pode fazer um bate-volta até Essaouira, uma bela cidade que fica na costa oeste (Atlântico). É um grande atrativo, em especial pelas paisagens.

Uma viagem que nem todos conhecem é a aventura no Saara que parte de Marrakesh. Trata-se de uma excursão de dois dias e uma noite que algumas empresas organizam. O pacote inclui o trajeto de ida e volta e uma noite em plenas dunas do Saara, em tendas criadas por berberes para o evento. Isso inclui o jantar típico, o café da manhã com os nômades e o “transfer” de dromedário que leva os turistas, em 40 minutos, da última parada da van até as tendas no deserto.

São oito horas de viagem sem contar as paradas em cidades menores para as refeições. Os grupos são de 10 a 14 pessoas por van; no acampamento berber dormem de 40 a 50 pessoas. O trajeto passa por lugares incríveis, como:

  • os sets de filmagem de títulos famosos que se passam no deserto, como “Lawrence da Arábia”;
  • a antiga citadela de Ait-Ben-Haddou, feita toda de barro, onde foram gravadas algumas partes de Game of Thrones;
  • lojas de vendedores de tapetes;
  • povoados nômades;
  • e a cordilheira do Atlas, de dar frio na barriga, de tão próximas que as curvas são dos penhanscos.

Durante à noite, já no deserto, os berberes são atenciosos e fazem de tudo para você se sentir seguro e à vontade. Tudo é muito simples e honesto: servem chá verde e tajine no jantar, e à noite os anfitriões preparam uma roda de fogueira em volta da qual todos são convidados a sentar, contar histórias e cantar.

Mas o grande atrativo mesmo são as estrelas. Longe de qualquer civilização, o céu no Saara revela uma quantidade inimaginável de constelações. Ponto alto da viagem para quem tem a alma de poeta.

Todos dormem nas tendas e, logo cedinho, compartilham um café da manhã típico: pão, geleia de damasco, queijo e chá verde. Os turistas montam em seus dromedários novamente e vislumbram a paisagem do deserto com o sol raiando.

A cozinha marroquina

É na alimentação que se notam as influências culturais. No caso do Marrocos isso fico muito evidente, pois tudo é resultado de uma mistura de povos: nômades do deserto; mediterrâneos; árabes; ibéricos; e também os franceses. O resultado é uma culinária única, rica em perfumes e condimentos, numa mistura que não é agressiva, e com destaque para o açafrão, frutas secas (em especial o damasco) e a hortelã.

No café da manhã típico serve-se pão em formato de disco, como um sírio, mas mais grosso; geleias ou frutas em compotas; manteiga e chá de hortelã. O chá, inclusive, é servido em diversos outros momentos do dia, em especial quando a situação é de hospitalidade, como nas lojas de tapete. Fria ou quente, é a bebida mais consumida no país, e parte da tradição local. Uma dica: peça sem açúcar, porque no Marrocos o chá é sempre muito doce.

O tajine é o carro-chefe da sua cozinha. Trata-se de um guisado de frango, vaca, borrego, peixe ou mariscos, e que é servido com legumes cozidos e um fruto cítrico numa panela ou travessa feita de barro (chamada tajine). Existem inúmeras maneiras de preparar o tajine, assim como em Portugal há mil e uma maneiras de fazer bacalhau.

O cuscuz (couscous) é parecido e utiliza os mesmos ingredientes, no entanto não é um ensopado, e sim uma mistura de tudo aquilo com arroz fino, geralmente feito de semolina ou à base de cereais. Este arroz também serve de acompanhamento para a maioria das carnes, como o cordeiro e o frango.

Em geral as carnes são temperadas com mel, açafrão, frutas cítricas e outras especiarias, variando conforme a casa. Não estranhe se o condimento Ras Al Ranout, muito popular, for diferente em cada lugar. Isso porque a tradução literal é “seleção do lojista”, portanto cada um tem seu próprio estilo e receita. Um espetáculo de cheiros e sabores harmonizados numa cozinha bastante simples, mas muito rica.

As sopas também são tradicionais em Marrocos. As mais procuradas são a Harifa (lentilhas, grão-de-bico, cordeiro, tomate e vegetais) e a Bissara (ervilhas ou fava, azeite e muitas especiarias).

Quanto à sobremesas, além do mel, as frutas secas são bem comuns em qualquer hora do dia: amêndoas, castanhas, nozes, figos, ameixas e tâmaras.

Fica a dica da Revista Digital, o blog da Spicy, para sua próxima viagem. E reserve espaço na bagagem, pois você vai voltar cheio de compras do país.

Fontes:

https://viajologoexisto.wordpress.com/

http://www.revistaturismo.com.br/

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