FOCO NO INGREDIENTE

O sal e suas histórias: 2ª parte

Ele foi o 1°mineral conscientemente usado pelo homem para reforçar a nutrição. Além disso, foi referência comercial, forma de pagamento e pretexto para diversas guerras. Conheça aqui as histórias que envolvem o sal na história da humanidade.

O sal tem um papel coadjuvante, porém muito importante na evolução da civilização humana. Seu uso, suas formas de extração e seu aproveitamento no dia-a-dia determinou mudanças cotidianas e até mesmo sociais em diversos momentos históricos, como na marcha promovida por Gandhi na Índia e a Revolução Francesa no século XVIII.

O sal e a civilização

Mas a participação do sal na nossa vida vem de muito antes. Os documentos mais antigos que mostram o uso do sal datam de sete a seis mil anos antes da era cristã, e foram encontrados na Índia e na China. São os primeiros relatos sobre a extração do sal a partir da evaporação da água marina. Peng Tzao Kan Um é o mais antigo tratado de farmacologia; ele data de 2.700 e descreve 40 tipos de sal e dois métodos de extração que, curiosamente, são um dos mesmos usados até hoje.

Intuitivamente, o homem primitivo já buscava o sal nas refeições; era por meio da gordura da caça que ele ingeria o mineral. Mais do que isso: o sal ajudou o homem a se estabelecer.  O cloreto de sódio inibe a proliferação de micro organismos nos alimentos e aumenta a vida útil dos perecíveis; portanto, foi um item essencial para guarnecer estoque de suprimentos, especialmente carnes, o que auxiliou o homem em superar o nomadismo.

Exemplos? Perto da gente, temos a própria tradição do sertão nordestino, a carne de sol, cujo preparo se fundamenta no uso do sal para preservar a carne seca numa região que há tempos é pobre em recursos naturais. Já mais longe, no Egito, o sal era usado como um dos métodos de mumificação, ou seja: preserva mesmo!

O sal e o comércio

Antes da era industrial, o sal sempre foi um item raro e, portanto, caro. Ele foi o primeiro item de transação internacional já registrado, e também foi usado como moeda e, portanto, como poder. O Império Romano pagava seu exército com punhados de sal. A palavra salário vem daí, bem como soldado, que tem raízes latinas derivadas de sal.

Diversas estradas foram construídas para ligar minas de sal a cidades ou portos; a estrada alemã Old Salt Route é um exemplo. A Via Salária, na Itália, é uma estrada que corta o país de leste a oeste e tem 242 Km de extensão; ela foi construída durante o Império Romano justamente para facilitar as trocas comerciais, cujas referências de preço eram o sal..

Muitos impérios, como o Português, exerceram controle dos estoques de sal de seus domínios. Uma tática dos imperadores era controlar os estoques de sal e distribuir à população em momentos estratégicos para acalmar os ânimos dos povos e ganhar sua simpatia — um dos mais antigos métodos da política de pão e circo.

No século XX, com a era da industrialização, a mineração subterrânea e a exploração de novas fontes minerais, o sal passou a ser extraído e produzido em larga escala. Com a globalização e seu barateamento, o sal finalmente chegou à mesa de famílias que antes não tinham acesso ao produto.

O sal e as revoluções

O controle excessivo sobre o sal e seu comércio levou à queda de alguns impérios e reinados. A gabelle, taxa sobre o sal, foi um dos motivos que levou o povo à irritação na Revolução Francesa. No entanto, nada é tão famoso como o que aconteceu em 1930 na Índia.

O Império Britânico, colono da Índia, impunha restritíssimas condições para extração e comércio de sal; como consequência, o item acabava sendo caro demais para o povo daquele país. Mahatma Gandhi rebelou-se: por que pagar tão caro num produto que se obtém da natureza?

Contra isso ele decidiu caminhar 400 Km a pé de sua cidade até o litoral para raspar sal à beira mar. Sua marcha pacífica iniciou com algumas dezenas de pessoas, e terminou com milhares. O episódio não só o colocou em destaque entre as grandes figuras revolucionárias não-violentas da história da humanidade, como preparou o terreno para, quase duas décadas depois, a Índia se ver independente de seus poderosos exploradores.

Expressões, curiosidades e turismo sobre o sal

Muito ouro, escravos e até noivas foram negociadas por sal. Portanto, além de soldado e salário, diversas expressões foram cunhadas em relação ao sal. Exemplos:

  • Na Grécia que surgiu a expressão “não vale o sal que come”;
  • A expressão “fulano é sal da terra” refere-se à confiabilidade da pessoa;
  • “Salgar a terra” se refere a um método usado para deixar um solo infértil;
  • Precisa mesmo explicar a expressão “preço salgado”?

Mas o sal tem muito mais curiosidades. No Budismo ele é utilizado em alguns rituais, pois acredita-se que o sal tem o poder de afastar o mal. No Xintoísmo e alguns rituais judaico-cristãos o sal é visto como um elemento de purificação. No Espiritismo, se uma casa guarda energias negativas, um copo com sal grosso atrás da porta vai ajudar a purificar o ambiente.

O Mar Morto e o Grande Lago Salgado em Utah são dois locais fascinantes. Os lagos salgados são regiões onde a água do mar por fatores geológicos acabou sendo isolada. Com a evaporação da água do lago, a salinidade de sua água aumenta, e por isso os corpos boiam, e somente algumas formas de vida, como fungos e bactérias resistentes, são capazes de sobreviver.

Quando o lago seca de vez, o que resta é uma região com sal por sobre a terra: o deserto de sal. Em Utah também existe um, mas um dos mais famosos do mundo está aqui mesmo na América do Sul, atingindo partes da Bolívia, Peru e Chile.

Por fim, se um dia vocês estiver passando pela região central da Europa, ou mais precisamente na Polônia, visite as minas de sal de Wieliczka, a poucos quilômetros de Cracóvia. Considerado um patrimônio da humanidade pela Unesco, é uma mina de sal construída no século XIII que tem mais de trezentos metros de profundidade e quase trezentos quilômetros de túneis.

O turista desce incontáveis lances de escada até começar o passeio, que desce por dezenas de salas, esculturas medievais, lagos e muito mais. O local é tão imenso que existe até mesmo uma capela, um salão cerimonial (todo feito de sal) e um restaurante para eventos. Uma das melhores partes do passeio é no salão, que contém uma versão do quadro A Última Ceia feita em sal, além de estátuas de sal cristalino a partir de imagens e ícones religiosos, como a Virgem Maria ou o papa João Paulo II, que era polonês. Um local imperdível que vale a visita.

Gostou da matéria? Então passe o sal. Ou melhor: compartilhe. E até a próxima matéria da Revista Digital, que vai trazer os sabores de Marrakesh. Aguarde.

Fontes:

http://www.fleury.com.br/

http://saberdosal.blogspot.com.br/

http://lazer.hsw.uol.com.br/sal5.htm

Sal: uma história do mundo — de Mark Kurlansky

FOCO NO INGREDIENTE

Passa o cloreto de sódio? Um especial sobre tipos de sal

Você entende mesmo de sal? Confira nesse especial da Spicy diversos tipos de sal disponíveis no mercado, além de curiosidades sobre as cores, regiões e outras informações da alta gastronomia sobre a substância que é muito mais que um realçador de sabor.

O avanço industrial, a globalização e diversos outros fatores no século XX causaram duas mudanças cruciais na forma como nos relacionamos com o sal de mesa: barateou o produto (aumentando assim seu acesso) e possibilitou a chegada de novos (ou antiquíssimos) tipos de sal às nossas cozinhas. Confira quais são eles nessa matéria comparativa que abre o Especial do Sal da Revista Digital.

Informações básicas

O sal é a substância cloreto de sódio (NaCl). Além de realçar o sabor dos alimentos, o sal tem um papel importante para o organismo, em especial na pressão arterial, trabalhando em níveis celulares. Tecnicamente falando, no entanto, quem é o responsável por essas funções no organismo é o sódio (Na), que corresponde a 40% do peso do cloreto de sódio. Ou seja, 1g de sal de mesa tem 400mg de sódio.

O mínimo que devemos consumir por dia é 500mG de sal. O máximo, segundo o que a estabeleceu a OMS (Organização Mundial da Saúde), é de 2g de sódio (ou, pelas contas acima, 5g de sal) — o que, traduzindo para a unidade do dia-a-dia, equivale a cinco colherzinhas bem rasinhas de café.

Parece pouco, e é mesmo. Altas quantidades de sódio afetam a pressão arterial, o que pode ser fatal para hipertensos. Aqui no país se consome em média 12g de cloreto de sódio por dia.

A nossa legislação exige que ao sal de cozinha seja acrescentado iodo, para assim evitar a sua carência na alimentação do brasileiro; por isso que, aqui, sal de cozinha e sal iodado é a mesma coisa.

Tipos de sal mais comuns à mesa

O sal de cozinha, ou o sal refinado, é o cloreto de sódio que passou por processos químicos para deixá-lo mais branco e mais fino. Relembrando, 1g de sal de cozinha contém 400mg de sódio.

O sal grosso se chama assim justamente porque não é refinado; tem os mesmos 400mg de sódio por grama, mas o sal grosso é utilizado para temperar carnes e salmouras porque ele evita o ressecamento.

E o sal light? Ele assim se chama porque metade do “sal” é cloreto de potássio (KCl), não de sódio. O potássio não retém a água, então o sal light não aumenta a pressão arterial como os tipos com mais sódio. Apesar de ter, de fato, a metade da quantidade do sódio que o sal de mesa (200mg por grama de sal light), este tipo deve ser evitado por quem tem problemas ou propensões a doenças renais.

O que está cada vez mais presente em cozinhas e restaurantes é o sal líquido. Ele é borrifado com spray, o que permite melhor distribuição do sal na superfície dos alimentos. O sal líquido é um sal muito puro que foi diluído em água mineral. Seu sabor, portanto, é mais suave, e o controle do sódio fica maior: cada 1ml do sal líquido possui 11mg de sódio.

Os sais coloridos e seus países de origem

Existem tipos de sal que carregam em seus cristais outros tipos de minerais e substâncias. É por isso que suas cores diferem, em especial em relação ao sal refinado, que é puramente branco. A cor depende, obviamente, da característica de cada região.

O sal rosa, por exemplo, é um sal extraído do Himalaia. Sal no Himalaia? Pois é. Há muitos, muitos, muitos anos atrás, nas regiões próximas ao que hoje é uma cordilheira, existiam mares. O sal depositado ficou lá até ser descoberto pelos humanos. O sal rosa é considerado um dos mais puros sais marinhos, e possui cerca de 80 minerais, como cálcio, magnésio, ferro etc., o que dá o tom rosado. Cada grama do sal rosa tem 230mg de sódio.

O sal do Peru também é famoso por motivos similares: e ceviche, que contém bastante umidade, é retirado do Vale Sagrado dos Incas, numa região que há dois mil anos também era oceano. A salina mais conhecida é a de Maras, porque fica numa altitude muito alta, um desafio para a lógica da geografia; pelos turistas, simplesmete é mágico. Seu sal é bastante forte, mas tem menos sódio: 250mg.

O sal do Havaí é bem mais avermelhado. Isso porque ele também não é refinado, e a região de onde é extraído está repleta de um certo tipo de argila comum nas ilhas do Pacífico, chamada Alaeca. A cor deve-se à presença do dióxido de ferro, e tem 390mg de sódio por grama.

O sal marinho é quase igual ao sal refinado, mas seus grãos são irregulares, mas nem tanto como os do sal grosso. Segundo especialistas da gastronomia, estes formatos ativam as papilas gustativas responsáveis por captar o salgado, o que eleva a percepção e realça melhor o sabor de diversos alimentos. No entanto, ele tem bastante sódio: 420mg por grama do produto.

O sal negro, ou Kala Namak, é retirado de uma região no centro da Índia. Sua cor e seu gosto são bem diferentes do nosso paladar: além de ser escuro, a presença de compostos de enxofre na substância faz o sabor lembrar a gema do ovo. Além de cloreto de sódio, tem cloreto de potássio e de ferro; pudera: são todas substâncias de origem vulcânica. Cada grama dessa iguaria possui 380mg de sódio.

Os tipos de sal mais incomuns

Diferentes culinárias pedem diferentes tipos de sal. Quando conhecemos as altas cozinhas, por exemplo, isso fica bem evidente.

A flor de sal, ou fler du sel, é uma versão hiper delicada, e por isso é usada somente após o preparo do alimento. É retirada das camadas superiores das salinas antes que o sal se deposite, portante é uma substância anterior à formação do sal marinho. Tem bastante magnésio, iodo e potássio, e a presença de finíssimos grãos de areia dá cor acinzentada ao grão e textura crocante ao alimento. Sua versão mais conhecida é da da região de Guèrande. Mas cuidado com o uso, pois o índice de sódio é alto: 450mg/g.

O sal defumado, famoso na França, é levemente adocicado e tem cor acinzentada. Até mesmo sua produção é digna de literatura. Pra começar, o fumè de sel é feito a partir dos cristais de flor. Eles são defumados lentamente em fumaça fria, resultante da queima de ripas de barris de carvalho usados no envelhecimento de vinho Chardonnay. Mais específico, impossível. Em resumo, o supra sumo da sutileza e refinação salina.

Outro sal defumado famoso é o dinamarquês, que, segundo se diz por lá, é inspirado em descobertas vikings. Após a evaporação da água do mar, o sal é secado em recipiente aberto sobre uma fogueira cheia de fumaça que vem da queima de madeiras aromáticas: carvalho e cerejeira são duas delas. Tanto o sal defumado francês quanto o dinamarquês possuem de 390 a 400mg de sódio por grama.

A cozinha judaica utiliza alimentos com certificação kosher; isso quer dizer que a produção é acompanhada por rabinos. É o caso do chamado sal kosher, que geralmente é produzido com cristais grossos, extraídos de minas ou do mar.  Muitos chefs de cozinha preferem o sal kocher porque sua granulação permite controlar melhor a salinidade. No entanto, sempre é bom conferir o sal e sua origem, pois o nome “kosher” se refere à certificação judaica, não ao tipo de sal ou à quantidade de sódio.

O gersal é uma mistura de uma pitada de sal com semente de gergelim tostados e moídos. O gergelim consegue realçar o sabor do sal, portanto auxilia no combate a exageros. O resultado da mistura é um sabor diferenciado, com acréscimo de cálcio, magnésio, vitamina E e fitoesteronas, por isso utilizado na cozinha macrobiótica. Atenção à quantidade de sódio: se preparado corretamente, tem apenas 5mg por grama de produto.

Outros tipos de sal que vale a pena um dia conhecer:

  • Sal Celta: semelhante ao sal rosa em propriedades, mas tem cor branquinha
  • Sal de bambu: conhecido na Coreia, é feito a partir do sal marinho que descansam em bambus; o sal, com isso, adquire sabor notável e muitos minerais e substâncias benéficas à saúde
  • Sal de Epsom: não é sal, mas parece. Na verdade é sulfato de magnésio, não cloreto de sódio. Deve ser utilizado com muita moderação, pois, além de ser laxante, ativa outras funções metabólicas no organismo. É utilizado em medicinas alternativas para tratar do fígado e da vesícula.
  • Sal orgânico: assim como no caso do sal kosher, refere-se à “certificação”, ou seja, ser orgânico significa ter certas maneiras de se produzir, mas não garante qualidade ou tipo de refino. Costuma não ter aditivos, e sua limpeza é feita naturalmente, como em mananciais.

Gostou da matéria? Aguarde na próxima semana a continuação do especial, que vai trazer a história do sal, seu papel ao lado do desenvolvimento da humanidade, e muitas outras curiosidades sobre o uso do cloreto de sódio.

Fontes:

http://www.minhavida.com.br/

http://www.noticiasnaturais.com/

 

FOCO NA REGIÃO

Turquia, uma das mais ricas cozinhas do mundo

Nesta série especial sobre a Turquia, você já pôde conhecer mais a fundo sobre a história da região, suas implicações culturais, e as diferentes atrações turísticas do país (confira aqui e aqui os textos anteriores). Agora você vai descobrir como é o lado prático gastronômico resultante dessa grande diversidade histórica.

Obviamente, há muito ecletismo na culinária turca. Isso porque, durante os mais ricos períodos dos Impérios Bizantino e Otomano, os reis e sultões permitiram que as cidades absorvessem o melhor da cultura das civilizações sob seu domínio; eles também facilitaram o intercâmbio de informações entre as caravanas mercantis que vinham de todos os cantos, da Europa Central, da Ásia, dos Balcãs, do Oriente Médio e da África. Não à toa a cozinha turca é considerada uma das melhores e mais ricas do mundo, ao lado da francesa e chinesa.

Assim, não é estranho que pratos típicos sejam feitos à base de peixes ou carnes; de legumes ou cereais. Por exemplo, as cozinhas das cidades mais próximas do Mediterrâneo são ricas em saladas (salada turca), peixes, frutos do mar com muito azeite de oliva, e temperos. Atenção especial aos temperos, pois as especiarias eram sempre um dos itens mais comercializados, e portanto mais agregado à cultura local.

Dentre as carnes, as mais utilizadas são o borrego (nome dado ao cordeiro com menos de um ano de idade), vitela e frango. Já dentre os vegetais, as leguminosas, como feijão branco e lentilha, são protagonistas; e os legumes, como beringela e abobrinha, também são muito comuns na cozinha local de diversas regiões turcas. Se em Portugal existem mil e uma maneiras de preparar o bacalhau, na Turquia existem mil e uma maneiras de preparar a beringela (confira o especial sobre cozinha portuguesa aqui).

Apesar de serem histórias cheias de controvérsia, os turcos alegam serem os inventores do iogurte, presente em diversos pratos, e também do café. O que é certo é que eles criaram a yufka, ou massa phyllo, que é a massa folhada fininha que deu origem ao strudel, ao doce mil-folhas, e a diversas receitas de sobremesas.

Kebab não é só fast-food

Na Turquia, kebab é o nome dado a qualquer cozido no espeto, seja de carne, de peixe, frango ou de legumes. O termo é bem genérico, portanto esqueça a noção que você tem deste prato. Na verdade, o que chamamos geralmente de kebab fast-food é, para eles, o döner kebab, ou seja, um wrap com carnes, legumes e vegetais que lembra o churrasco grego. A Grécia é sua vizinha, portanto, qualquer semelhança não é coincidência.

O kebab pode ser servido de diversas maneiras: em espetos (kebab de rua), em guisados (tas kebab), em rolinhinhos com pão sírio e salada (urfa kebab e adana kebab), e até cozidos no jarro, uma espécie de tajini marroquino, chamado na Anatólia de testi kebab, prato típico da região central da Turquia. Ou seja, kebab não é só comida rápida.

Portanto, se você quer saber como se chamam as comidas rápidas mais tradicionais da Turquia, além do döner kebab, procure por:

  • *símit, rosca de massa de pão com gergelim;
  • *dürüm, uma espécie irmã do döner kebab;
    ou tantuni, que é como uma tortilla, bem apimentada;
  • *balik-ekmek, sanduíches de peixe comuns à beira do mar;
  • *lahmacun: a pizza turca, no pão sírio com carne moída e muito bem temperada;
  • *midye dolma, espécie de ostra e molusco servido na concha com arroz;
  • *kokoreç, para os fortes, é o intestino de ovelha cozida no espeto com temperos (mas, neste caso, procure redes confiáveis, como a Şampiyon Kokoreç);
  • *kumpir, a batata assada cujas opções de recheio são infinitas;
  • *tavuk pilav, que parece um prato de restaurante (arroz com frango), mas que é muito comum ser vendido e consumido nas ruas;
  • *e börek, que nada mais é que uma massa com queijo, comida como snack.

Bebidas turcas

Dizem os turcos que o iogurte foi inventado por eles. O fato é que uma de suas principais bebidas geladas, o ayran, é feito à base de iogurte (ou coalhada), água e sal. É uma bebida bem refrescante no verão.

O raki, destilado de anis, é para muitos turcos a única bebida alcoólica permitida, já que no Islã o consumo é proibido.

Não se iniba diante dos vendedores de sucos que passam com tanques às costas. Os sucos de frutas geralmente são de boa qualidade, e frescos; o consumo dessas bebidas na rua é bastante comum.

Mas, de longe, a bebida mais consumida é o chá, ou çay. Trata-se do chá preto à moda turca, consumido em qualquer hora do dia, do café da manhã ao jantar, na entrada da refeição à recepção em lojas tradicionais.

Já o café tem uma história interessante. Ele foi disseminado na Europa em partes por causa do cerco otomano feito à Vienna (final do século XVII). Depois que os invasores abandonaram o posto, os vienenses descobriram sementes de café no local de acampamento inimigo. Foi a partir de seu cultivo e consumo que a vida intelectual da Europa Ocidental nunca mais foi a mesma.

Histórias à parte, o café turco tem uma forma interessante de ser consumido. O café é concentrado, vindo de uma moagem com consistência de farinha, algumas vezes misturado com cardamomo. Depois de servido, deve-se esperar um minuto, para que a borra decante no fundo do recipiente. Aliás, a leitura de borra é comum na Turquia, e o consumo de café também está ligado algumas práticas divinatórias. Nada mais exótico que um simples cafezinho no local que já foi um dos epicentros culturais do mundo.

Principais pratos turcos

Uma prova que a cozinha turca é diversificada é que os legumes, leguminosas e carnes frequentemente se misturam e são bastantes presentes nas refeições. A começar pelas entradas (mezes): além do pão pita, pode vir com lakerda (atum defumado e em finas fatias), queijos de cabra, legumes, verduras e azeitonas coloridas.

O prato nacional turco é o kurufasuliye, mistura de feijão branco, carne, pimentas secas, servido com pilav e tursu (picles). Um dos melhores locais para experimentar esse prato tradicionalíssimo é próximo ao Mosteiro Sulymaniye. Uma variação é o taze fasulye, cozido com molho de tomate, ou com tomate e cebolas.

Pilav é o nome dado ao arroz cozido com especiarias. Um prato típico de acompanhamento é o hamsi pilav, que é o arroz com anchovas, comum nas regiões mais próximas ao mar. Outros pratos de acompanhamento são:

  • *o pão pita, de massa fina e crocante (quando frio);
  • *bulgur pilav, que é como o pilav, mas em vez de arroz, é trigo cozido com cebolas, pimenta e hortelã (espécie de tabule);
  • *cacik, que são pepinos com iogurte, alho e hortelã;
  • *mükver, espécie de empanado de beringela, ovos e farinha;

Por falar nisso, a beringela recheada é outra figurinha comum por lá. Os recheios variam, mas geralmente são com arroz e especiarias, ou carnes e temperos, em espeacial a cebola. Seus nomes: imam bayildi e karniyarik, respectivamente. Duas das maiores delícias que você vai encontrar por lá, em termos de especialidade turca.

Outros pratos com base de vegetais são o yaprak sarma, que são rolinhos de folha de uva recheados com arroz, legumes e especiarias; o dolma, vegetais recheados, que são ou assados ou frescos; ou as sopas (çorba), também muito comuns, especialmente a de lentilha servidas com suco de limão, ou as de iogurte, outra especialidade turca.

Outros pratos que valem a pena:

  • *mantis, espécie de raviolis recheados com carne de carneiro, mas com uma massa diferente, à base mais de ovos que farinha, e que são fritos;
  • *kiremitte karides, um cozido feito com uma espécie de camarão comum naqueles mares;
  • *kuzu kaburga, assado feito com costelas de cordeiro;
  • *e as kaftas (köfte), bolinhos de carne picada servidas com arroz, legumes, lentilha ou bulgur (espécie de farelo seco de trigo).

Doces turcos: uma característica marcante

A Turquia é um dos países que contribuiu bastante para as receitas de doces, e eles são muito presentes no dia-a-dia da população em todas as classes sociais. Os turcos inventaram a massa phyllo (que vai no strudel, por exemplo) e outras delícias, como a baklava, que é uma massa folhada com recheio de pistache, nozes ou castanhas.

Já o lokum, ou as “turkish delight” (delícias turcas), são as balas de goma que eram feitas para o prazer dos sultões. São sobremesas de origem na realeza, o portanto muito ligadas ao orgulho nacional e à sua cultura exuberante. Elas podem levar recheio, mas por si só são uma delícia. Também conhecidas na cozinha síria.

O sorvete na Turquia (dondurna) é uma atração. Isso porque o atendente costuma fazer verdadeiros malabarismos com a massa antes de servir. Isso é possível porque o sorvete turco é mais pegajoso, já que é feito à base de leite de cabra. Não deixe de experimentar.

Outros doces que enriquecem a refeição turca:

  • *firin sütlaç, o arroz doce feito com passas (geralmente) de Corinto;
  • *güllaç, muito consumido no Ramadã, é doce de massa de amido, leite e nozes;
  • *kaymak é o manjar artesanal feito com nata de leite e mel turco.

Com tantas atrações gustativas, a cada refeição você terá uma surpresa. Este foi nosso especial de gastronomia turca, preparado especialmente para alimentar seus sonhos de viagem a este país tão rico em cultura. Até a próxima!

 

Fontes:

http://opentravel.com/

http://www.wittistanbul.com/

http://www.timeoutistanbul.com/

http://essemundoenosso.com.br/

FOCO NA REGIÃO

Istambul à Capadócia: os melhores lugares na Turquia

As atrações turísticas da Turquia se dividem em: Istanbul, Capadócia, Ancara, pontos históricos e turismo de natureza. Mas não se engane: em cada atração é possível se encantar com a riqueza cultural que a região tem à vista. Confira agora a segunda parte do especial Turquia da Revista Digital.

Ancara, a capital e seus museus

Com uma população e dimensão comparável a grandes metrópoles mundiais (só perde em tamanho para NY, Las Vegas e Chicago), Ancara é uma capital que reúne elementos da arquitetura de muitos povos: bizantinos, helênicos, hititas, otomanos, persas e romanos. Isso porque ela também fazia parte da rota que ia de Istanbul até o Mediterrâneo, mas com a diferença de ser localizado no centro da Turquia. Uma consequência dessa localização se reflete em seus atrativos: os museus ou atrações étnicas.

Como o Museu Etnográfico, o Museu de Arte e Escultura ou o Museu do Estado da Civilização Anatoliana, que são os principais para conhecer mais a fundo esse mosaico de civilizações que a Turquia representa. Este último é parte importante do castelo de Anatólia, nome dado à grande região turca que também se chamava de Ásia Menor.

O Mosteiro Kacatepe é um dos mais bonitos na Turquia, perdendo talvez somente para os imponentes localizados em Istanbul. Já o Mausoléu de Mustafa Atatürk é uma construção impressionante que leva o nome do primeiro presidente turco, um dos responsáveis pela fundação republicana da Turquia e por sua secularização, já no período entre as duas grandes Guerras Mundiais.

Vale também conhecer a Citadela de Anacara (Hisar). Trata-se de um complexo antiquíssimo de construções dentro de uma fortificação. As estruturas são mostras de como era a antiga arquitetura turca e gálata (povo conhecido biblicamente pela Epístola aos Gálatas).

Istambul, a cidade de dois continentes e mil nomes

Apesar de não ser a capital, Istambul é de longe a cidade com mais atrações na Turquia. Isso porque, como dito no primeiro post da série, lá foi a capital de dois opulentos impérios: o Bizantino (ou o Império Romano do Oriente) e o Otomano. Não é de se estranhar que nesta cidade, fundada no sec. VI a.C., tenha tantos palácios, mosteiros e mansões.

A cidade é justamente a parte turca dividida pelo Estreito de Bósforo, cruzada terrestre e marítima de antigas rotas comerciais, motivo de florescimento na cidade mil anos depois, no século VII D.C., com Bizâncio no poder, e novamente no Império Otomano, sob dois diferentes sultanatos.

O curioso na cidade é que o estreito também separa dois mundos: no lado europeu, a cidade é um centro cosmopolita, metrópole com agitada vida noturna; do outro, uma cidade tipicamente muçulmana, onde se ouvem os chamados para oração sempre às cinco horas da manhã e tarde.

As maiorias dos museus cobram taxa, mas uma parte turística bem considerável de Istanbul acontece de graça; e estas atrações já são suficientes para consumir uns quatro dias de estadia. Por exemplo, a caminhada que vai da Praça Taksim pela Avenida Istiklal até a Ponte de Gálata, uma grande torre medieval de pedra. O caminho é como uma viagem no tempo, passando por consulados, igrejas, vida noturna, vendedores ambulantes, cafés que colorem as ruas com suas músicas. No bairro antigo de Gálata fica o primeiro metrô turco (1875, construído, portanto ainda durante o Império Otomano).

Existem mesquitas e museus que são gratuitos. A Mesquita Sultanahmet (Mesquita Azul), a Mesquita Suleymaniye (construído pelo arquiteto Sinan, um dos mais importantes da história) e Mesquita Prestem Pasa (datada do século XVI, cheia de azulejos e florais). Mas também existem belas igrejas cristãs, como a Catedral de São Jorge e a Igreja de Santo Antônio de Pádua, no bairro Balat.

Outra caminhada é a do Estreito de Bósforo, pelo lado Europeu. Você terá panoramas incríveis de palácios otomanos, das yalis (mansões), do trecho divisório entre o Mar Negro e o Mar Mármara, além da vila Ortakoy, do Forte Rumelihisar e do Parque Bebek. Um dos palácios é o Topkapi, um local com inúmeras salas, saguões, quartos de sultões e, é claro, os locais dos famosos haréns.

Um importante retiro da cidade é a Ilha dos Príncipes, alcançável por balsa a um preço barato. Era um antigo local de exílio no Império Bizantino, e que oferece uma bela paisagem, um mergulho no passado. Lá você conhece o Monastério São Jorge (sec. XII), na Ilha Buyukada; o Monastério da Santíssima Trindade, em Heybehada; e as praias bonitas, mas de mar gelado, de Burgazark.Detalhe: o local não aceita veículos motorizados, portanto uma garantia de sossego.

Uma das principais atrações da Turquia como um todo é o Grande Bazar, ou Kapala Kasipi. Um verdadeiro labirinto com mais de 4.500 lojas em ruas e becos que mantém a grande tradição da cidade que foi rota mercantil mundial: o comércio. E a negociação de preços, claro. Ele começa na Praça Eminonu (sec. XVII) e também passa pela Praça Beyazit (sec. XV), que por si também são cartões postais. Os donos das lojas — que vendem de tapetes a azulejos, de doces a artesanato, de especiarias a roupas, enfim, talvez um dos shoppings mais antigos do mundo — recebem os turistas em até 15 línguas. A maioria das lojas de comida convida o turista a experimentar gratuitamente suas iguarias. Enfim, o lugar que vai render pra você uns quilos a mais em compras na bagagem de volta ao Brasil.

Dentre as atrações pagas, destacam-se o banho turco (Hamam), em Cermberlitas Hamam, e a cisterna subterrânea de Yerebatan Sarayi, mostradas no filme 007: From Russia with Love; são 336 colunas de mármore numa grande galeria subterrânea.

Já dentre os museus, confira o Museu Hagia Sophia, a maior catedral do mundo. Ela tem mais de mil anos, já foi basílica, já foi mosteiro, foi central nos dois grandes impérios, e mostra belíssimas peças de mármore e de caligrafia islâmica. Também vale a pena ir ao Museu de Arte Turca e Islâmica para conhecer tapetes, artesanato, azulejos e muitos artigos que traduzem interessantíssimas e históricas formas de arte.

Capadócia e o famoso passeio de balão

Capadócia é uma região conhecida por suas formações geológicas e as deformações causadas por antigas atividades vulcânicas. O Görene National Park é um local em que se pode apreciar esse tipo de paisagem, único no mundo.

O melhor lugar para se instalar na Capadócia é justamente na cidade de Göreme. Além de, dali mesmo, fornecer uma bela vista das formações geológicas da Anatólia (especialmente no pôr-do-sol), ela contém toda a infraestrutura que um turista pode precisar: hotéis para todos os bolsos, bares, restaurantes, cafés, lojas e empresas de viagens. Isso porque a cidade só tem seis mil habitantes!

O grande trunfo da cidade no turismo é o balonismo. A partir das 5h da manhã já se vêem balões subindo aos céus, que na grande temporada chega a ter dezenas deles voando ao mesmo tempo. O passeio dura em torno de 1h, podendo se estender de acordo com as condições dos ventos. A vista de cima é algo que você não vai ver em nenhum outro lugar, portanto, se vier para a Turquia, venha para a Capadócia e realize este sonho. Os passeios custam a partir de 100 euros por pessoa.

Tempo sobrando? Explore ainda mais.

Se você quer ver o país por todos os ângulos, confira outras atrações que valem a pena o investimento.

Na ala das paisagens e passeios:

 

  • Praias do Mar Egeu e Mediterrâneo. As prinipais são Bodrum, Marmaris, Fethiye e Kas. Existe um cruzeiro que vai de Bodrum a Antalya e passa por lindas baías, cidades antigas, portos agitados e praias famosas (Patara Beach), além do local de nascimento de Santo Nicolau (inspiração do papai Noel).
  • Piscinas termais em ParnuK Kale, em Hierápolis, com formações calcárias em águas que fazem bem à pele, olhos, e tratam asma e reumatismo.
  • O Rio Çoruh e o Monte Nomrut apresentam tanto belas paisagens quanto sítios arqueológicos, guardando, por exemplo, cabeças de gigantes estátuas da Antigüidade.
  • O famoso Monte Ararat é um vulcão inativo cuja vista do topo permite localizar locais de diversas civilizações antigas. Trekking é uma atividade constante (desde que em grupo), e a melhor data para o passeio é no verão, pois no inverno a neve impossibilita a ida, exceto para experientes.
  • Por fim, o Lago Van, um belo cenário que conjuga montanhas, platôs, lagos e muita natureza, com boa infraestrutura para o turista.

Já na categoria sítios históricos:

  • Éfeso, ou Kusadasi. Ali é tanto um local que guarda resquícios do Império Romano, como da civilização helênica: tem o Templo de Ártemis, uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo). Também é conhecida pelas passagens do apóstolo Paulo.
  • Resort de Canakkale, em Dardanelos: local que envolveu as batalhas na Guerra de Troia e foi colocada na eternidade em Ilíada, de Homero. Inclusive o cavalo de madeira usado no filme Troia (2004) está lá para ser visto.
  • A península de Gallípoli foi palco de batalhas históricas. Além de belas vistas, está repleta de belos memoriais e cemitérios de guerra. O tour guiado geralmente leva 4 horas, com saídas de Canakkale e Istambul.
  • Amasya é uma cidade que abriga outras construções que mostram bem o que era a arquitetura otomana. Já Mamure Kalesi é um castelo fortificado construído em Anamara, ao sul do país, um ponto próximo ao Chipre, no século III.

Já está mais do que claro que viajar na Turquia é uma viagem no tempo de muitos tempos, passando por resquícios de diversas civilizações e momentos marcantes da história mundial. Agora só falta você saber o que tem de bom na gastronomia. Fique de olho no próximo post, que vai falar justamente sobre as delícias da cozinha turca. Até breve!

 

Fontes:

http://viajeaqui.abril.com.br/paises/turquia

http://essemundoenosso.com.br/

http://g1.globo.com/turismo-e-viagem/

http://opentravel.com/

http://www.wittistanbul.com/

FOCO NA REGIÃO

Turquia: o país que une culturas e continentes

Neste especial de três partes, a Revista Digital traz a você informações sobre este país que é o 6º mais visitado do mundo, e tudo por causa da sua abertura cultural e atrativa mistura de civilizações. Confira abaixo a primeira parte, dedicada a encantar você com os aspectos culturais e gerais desse destino turístico fascinante.

Por que a Turquia é tão importante para a História?

A Turquia é o país que já abrigou civilizações antiquíssimas. Estamos falando de culturas que sedimentaram a humanidade, como os helênicos (hititas e gregos antigos), persas, romanos, bizantinos e otomanos. Estes últimos tiveram importante impacto na história da humanidade, pois o Império Bizantino, potência na Idade Média, chegou a ser sede da Igreja Romana; e o Império Otomano, potência na Era Moderna até 1922, também desempenhou papeis estratégicos no rumo tanto da Europa Ocidental quanto do Oriente Médio e Rússia.

O país, e em especial a cidade de Istambul, é um ponto estratégico no mapa. Fica entre quatro mares (Mediterrâneo, Negro, Egeu e Mármara), liga dois continentes e fica próximo da África. Além de tudo isso, esta cidade, que já foi chamada Constantinopla e também Bizâncio, era parte de uma rota comercial muito antiga, tanto para quem vinha pelo mar  — da Rússia pelo Mar Negro até o Mediterrâneo, que divide África de Europa — quanto por terra, num caminho desde o Danúbio, nos Balcãs, até a Ásia Menor, Síria e Mesopotâmia, antigo trajeto para seguir à Pérsia por terra, ou às Índias por mar.

Ou seja, um destino muitas vezes obrigatório para as caravanas mercantis, o que garantiu importância política e poder econômico aos mandantes que dominavam a região, devido aos impostos cobrados pela travessia. Sua importância é tão grande que a tomada de Constantinopla, no século XV, marca não somente a queda do Império Bizantino, como o fim da Idade Média. Isso sem contar as Cruzadas e também a importância estratégia nas guerras do século XIX e XX que definiram a geopolítica da região ao longo dos séculos.

Por causa disso, os sultões, reis e imperadores que por ali passaram tomaram uma importante decisão de fortificar a cidade e garantir sua preservação. Isso não só garantiu a segurança do trecho, como ainda permitiu conservar aspectos culturais ancestrais, como documentos e escrituras da Antiguidade. Os pensadores e universidades na era do Renascimento, por exemplo, tiveram acesso à cultura grega muito por causa dos registros guardados na região onde hoje é Istambul, a cidade mais cosmopolita da Turquia.

O turismo na Turquia reflete sua abertura

A Turquia nas últimas décadas investiu pesado no turismo, que hoje é importante parcela do PIB turco. É o 6º país mais visitado do mundo, bem alinhado com a União Europeia e com vôos diretos pela Turkish Airlines para importantes cidades fora do eixo europeu, como São Paulo.

O brasileiro, por exemplo, quando chega pelo aeroporto, não precisa de visto (por até 90 dias), nem vacinas especiais, nem de taxas extras; observação: o mesmo não se pode dizer das fronteiras por terra, abertas, porém menos alinhadas sobre os acordos internacionais. Nosso CNH muitas vezes é aceito pelas estradas, e por isso diversos turistas alugam carros para descobrir as praias pelo mar Egeu.

É um país aberto em todos os sentidos. Mesmo que sua população seja 97% muçulmana, a Turquia tem estado laico, sistema parlamentarista, e permite liberdade religiosa. Seu islamismo é progressista, ou seja, adaptado a um mundo multicultural.

Tem leis que são duras aos turcos, mas brandas aos turistas. Por exemplo, a burca é proibida, mas mulheres muçulmanas de outros países são livres para usá-las; o álcool não é consumido no mundo islâmico, mas turistas muitas vezes são flagrados com cerveja pelas ruas (em todo caso, evite confusão). Sem contar que os turcos possuem sua bebida alcoólica branda, o raki, um destilado diluído de anis. Mas fique atento: em seu planejamento de viagem evite as datas do Ramadã, a não ser que você esteja lá justamente para conferir o evento.

Os moradores locais são receptivos, perguntadores, e até convidam turistas para jantar com suas famílias — é normal. Os garçons se sentem à vontade para sentar à mesa, às vezes perguntando até mesmo quanto você ganha; mas eles esperam sempre por gorjeta, entre 10 a 20% do valor da conta. Reserve.

Donos de lojas, especialmente as tradicionais, recebem os clientes servindo o tradicional chá turco, uma espécie de chá preto. O wifi, mesmo fechado, é liberado em muitos estabelecimentos, mesmo a não clientes, bastando perguntar ao dono da loja ou restaurante. Só não se deve aceitar simpatia demais, como ofertas de bebidas, especialmente se fvocê for o turista solitário, geralmente mais suscetível a golpes.

É um país seguro para turistas. As crises do Oriente Médio não afetam o país mesmo sendo vizinho; não confundir com os ataques recentes na Tunísia, que não é Turquia, mas têm bandeiras muito parecidas. Cigarro e narguilê são permitidos, mas o consumo de drogas é proibido e punido com prisão, sem exceção.

Curiosidades culturais da Turquia

Não se deixe enganar pelo nome: o “banheiro turco” (buraco no chão com dois apoios para o pé) é raridade. A maioria dos estabelecimentos conta com os tradicionais vasos sanitários. Mas o “banho turco”, este sim você deve encontrar (e experimentar) por lá. Trata-se praticamente de um spa, onde os clientes, separados por sexo, usufruem de serviços como saunas, esfoliação e massagem.

Uma lei curiosa proíbe que artigos de antiguidade sejam levados da Turquia. Ou seja, caso você passe por algum sítio arqueológico, como em Éfeso, ou adquira algum tapete, o vendedor terá que dar um certificado dizendo que o objeto não é um item antigo.

Por falar em tapetes, falemos de compras. Se você gosta de trazer itens da cultura local, reserve um espaço para tapetes de kilins, cerâmicas otomanas de Avanos, narguilês, artigos de couro de Malatya, peças de vitrais em mosaico e, é claro, temperos e doces, muito clássicos na Turquia.

Última dica: se você aprecia artes performáticas, ou manifestações religiosas típicas, ou ambos, não deixe de ver uma dança dos Dervishes. É um espetáculo de cores e espiritualidade. Trata-se de uma dança cerimonial sufi em que bailarinos/devotos giram sem parar até atingir um êxtase controlado. O melhor local para conferir a atração é em Galata Mevlevihanesi.

No próximo artigo você vai saber não só sobre os mercados e bazares famosos na Turquia para essas compras, como os locais religiosos, culturais e naturais que você deve conhecer. Isso e muito mais informações sobre as cidades e pontos turísticos da Turquia você confere no próximo post que o blog da Spicy preparou. Até lá!

Fontes:

http://essemundoenosso.com.br/

http://opentravel.com/

FOCO NA REGIÃO

Portugal: os melhores destinos na pátria-mãe

Se Portugal para os europeus é um país cheio de atrações exclusivas, imagine para nós, brasileiros, que temos laços com a pátria-mãe. O pequeno país é repleto de pontos turísticos de todos os tipos: praias, penhascos e vinículas; castelos, palácios e fortalezas medievais; arquitetura romana, moura e gótica; cidades portuárias, metrópoles e até vilarejos com muita vida noturna; isso sem falar das referências culturais que com certeza vão tocar o coração do brasileiro apaixonado por história. Confira agora o especial da Revista Digital da Spïcy pelas cidades portuguesas.

O centro com Lisboa, Cintra, Évora e arredores

A capital portuguesa foi estabelecida na região da foz do Rio Tagus e entre sete montes e morros, o que faz com que a cidade seja vista de diversos ângulos e paisagens. O Castelo São Jorge, por exemplo, fica no topo de um morro e é visto por quase toda a cidade. A construção possui 18 torres e muralhas que passaram por importantes momentos históricos, como a reconstrução moura do século X, a retomada na 2ª Cruzada (sec. XII) e a morada do rei Alfonso III.

Mas Lisboa é muito mais que história. Seus bairros coloridos, o tradicional fado, os becos charmosos, as lojas típicas e os azulejos azuis da decoração das casas dão as tonalidades da cidade. Além disso, a região tem catedrais góticas, pontes impressionantes e uma série de locais de referência à religião católica (ex.: Mosteiro dos Jerônimos) e à era das Grandes Navegações, como o Museu Marítimo, o Padrão dos Descobrimentos e a Torre de Belém — construída em 1515 para defender a cidade com um bastião de 17 canhões; a torre possui uma famosa estátua da Nossa Senhora do Bom Sucesso e é considerada patrimônio da humanidade pela Unesco.

A cidade de Évora guarda muito da arquitetura Romana, pois foi um centro promissor há mais de dois milênios. É uma pequena cidade fundada próxima ao rio Alentejo, e seu centro antigo e cercanias guardam mais de 4.000 estruturas históricas, como as muralhas e o templo, construídos durante o Império Romano. A principal atração é a Capela de Ossos, parte da Igreja Gótica de São Francisco. Paredes, chão e teto são decorados com mais de cinco mil esqueletos, entre eles crânios. A curiosa construção foi a solução encontrada pelos locais no século XVI para a questão dos muitos cemitérios que existiam em Évora.

Cintra, ao pé da montanha homônima da costa lisboeta, possui belos montes verdes e muitas vilazinhas. É um local de realeza, e seus principais pontos turísticos o ilustram bem: o Palácio Nacional de Cintra, o Palácio de Monserrate, o Castelo de Mouros, todos considerados patrimônios da humanidade. Isso sem falar da Quinta de Regaleira e do Palácio Nacional de Pera, cuja arquitetura (moura e manuelina) faz pensar que ele foi criado num conto de fadas.

Para os católicos mais fieis, Fátima é um destino obrigatório. A cidade, a um bate-volta de Lisboa, é o principal santuário católico português e atrai todo ano mais de 4 milhões de fieis. Isso porque em 1917 três crianças observaram aparições da Virgem Maria. Além de beatificadas, houve grande reconhecimento pelo próprio papa João Paulo II, reverente da ordem dos Marianos. A maior visitação acontece em maio, em outubro, e nos dias 13.

Olbidos é uma cidade que fica no alto de morros. Possui uma fortaleza e um castelo de muitos séculos: foram os mouros que ergueram a construção no século VIII, que depois foi reformada em XIV e, recentemente, transformado numa luxuosa pousada. Suas ruas são um labirinto de tempos antiquíssimos, e todo mês de julho acontece uma feira para simular como eram os mercados medievais.

Por falar em luxo, a vila pesqueira de Cascais fica a 32 Km de Lisboa e costumava atrair muitos artistas em décadas passadas. Hoje é um reduto da alta sociedade, com serviços para quem busca uma estadia de luxo.

O norte com Porto, Coimbra e Aveiro

Porto, a cidade localizada na foz do Rio Douro, é famosa mundialmente principalmente pelo vinho do Porto. Logo, uma das principais atrações são as adegas, facilmente encontradas nos locais de fácil acesso. Outra aspecto da cidade refere-se ao próprio nome: a cidade é portuária, e isso é seu principal cartão postal. A alma da cidade está no distrito Cais do Ribeira, com sua famosa zona pedestre de ruas medievais repletas de restaurantes, cafés, bares e típicos vendedores de rua — motivos para a Unesco tomar o distrito como patrimônio.

Mas Porto também é uma cidade ativa, pois se enriqueceu graças à indústria. O que não quer dizer que você possa desfrutar de horas folgadas, como na Igreja São Francisco ou no principal destino de quem quer conhecer muitas adegas: a Vila Nova de Gaia, atravessando a Ponte Dom Luís (outro cartão postal).

A nordeste de Porto fica Guimarães. É uma cidade motivo de orgulho aos portugueses, pois além de também ser tombada pela Unesco, é considerada uma das capitais culturais europeias. Foi lá que Alfonso Henriques travou uma importante batalha para a história da Europa, e sua vitória culminou na fundação do império português em 1153. Além do Castelo Medieval (séc. X) e do Palácio e Museu Ducal (sec. XV), Guimarães possui uma famosa rua, a Rua de Santa Maria, que preserva seus ares medievais de estreitas ruas.

Já a cidade de Coimbra, às margens do rio Mondego, é uma pequena, charmosa e histórica localidade no interior do país. Lá, o fado também é um aspecto cultural bastante presente. Sua principal atração é a Universidade de Coimbra, de estilo barroco, construída em 1290 e uma das mais antigas de toda a Europa. Dentro dela, atrações à parte são a Biblioteca Joanina e a Sala dos Capelos, onde os doutores recebem a titulação no salão do trono.

Coimbra possui um dos dois mais importantes monastérios do país, o Monastério de Santa Cruz. O outro fica a uma curta distância, em Alcobaça, que fica entre Lisboa e Coimbra. O Monastério de Alcobaça manifesta aspectos da cultura do Império Romano e da Igreja Católica (arquitetura gótica). Ele foi fundado em justamente pelo primeiro rei português, Alfonso Henriques, em 1153, ano de início de seu bem sucedido império.

Por fim, Aveiro é uma cidade litorânea que é chamada de “Veneza portuguesa”. Isso porque seus belos canais, suas pontes charmosas, suas gôndolas e casas coloridas são o ponto de encontro dos turistas que frequentam as belas praias da região. É também um local cheio de pontos históricos, e possui uma gastronomia típica.

Algarve, o lado mais Mediterrâneo de Portugal

Ao sul do país fica a região de Algarve, famosa pelas praias, pelo Mar Mediterrâneo, pelos inúmeros vilarejos pitorescos e, sobretudo, pela sua gastronomia. Sua costa, cheia de penhascos, falésias e escarpas, tem ótimos ventos e constantemente sedia eventos de windsurf e iatismo. A Praia da Marinha é uma das mais belas de toda Europa, com águas azuis, praias de areia fina e muitos corais (ótima oportunidade para praticar snorkel).

Sagres, a ponta mais isolada de Portugal, chama atenção por causa de suas praias, penhascos, seu belíssimo pôr-do-sol atlântico-mediterrâneo, além de estruturas históricas, como a Fortaleza de Sagres (sec. XV), a Capela de Sagres (sec. XIV) e o Cabo São Vicente.

Completando a região temos Albuferia, com mais de vinte praias de todos os tipos; Lagos, a melhor cena noturna da região; e Portimão, famoso por seu autódromo internacional e por sua culinária, pois lá é sediado um importante evento gastronômico, o anual Festival de Sardinhas.

As ilhas portuguesas de Madeira e Açores

A Ilha de Madeira é considerada um oásis no meio do Atlântico. Possui pastos verdejantes, restaurantes de culinária local, igrejas históricas e uma sempre bela vista do oceano. Sua capital, Funchal, enriqueceu graças à produção de açúcar. Hoje ela recebe o turista sempre de forma alegre, com muitos resorts à disposição do viajante.

Na costa sulina de Madeira está Cabo Girão, um local com um dos maiores penhascos da Europa. A vista amedrontadora hoje possui até uma plataforma de vidro transparente, para os corajosos que desafiam a vertigem de olhar para baixo e ver o oceano a quase dois mil metros de altura.

Açores é um arquipélago bastante afastado do continente (fica às 4h de vôo de Boston, EUA). São nove ilhas vulcânicas a mais de 1500 Km de Lisboa. O destino é bastante requisitado para amantes da natureza, pois lá é um dos melhores locais do mundo para observar baleias de diversos tipos. Mas os banhos de água mineral e as cidadezinhas isoladas no imenso azul atlântico são também motivos dignos de visita.

Apesar do tamanho do país, o que não falta é atração. E isso porque o blog da Spïcy ainda nem falou dos vinhos e da gastronomia local. Acompanhe os posts deste mês e fique por dentro do que Portugal tem a oferecer para o seu turismo gastronômico. Até breve, ora pois!

 

Fontes:

http://www.touropia.com/

http://www.neverstoptraveling.com/

http://www.tripadvisor.com/

FOCO NA REGIÃO

Áustria: uma joia no coração da Europa

Se você leu o post sobre a Áustria (clique aqui e relembre) e ficou interessado em mais informações, chegou a hora de saber um pouco mais sobre o país que é uma verdadeira joia no centro da Europa. Além de reunir o que há de melhor na cultura clássica, especialmente na música, a Áustria também oferece experiências para esportistas de inverno e amantes da história mundial. Acompanhe agora nossa seleção de atrações, divididas por três temas: a capital Viena, as montanhas alpinas e as paradas históricas.

Vienna: a capital que respira música clássica

Mozart, Strauss, Brahms, Beethoven, Schubert. Familiar com esses nomes? A cidade de Viena é pura música clássica, e conta até com a Mozart House para os curiosos pela vida do famosíssimo compositor. Apreciadores do erudito vão se encantar com tudo aquilo.

A Vienna State Opera é a casa de ópera mais celebrada de todos os tempos, e sua orquestra está entre as melhores do planeta. A instituição oferece com bastante frequência versões clássicas e modernas de ballets. E, apesar da cidade ter um alto custo de visita, os preços para vivenciar um concerto ou ballet não são caros.

Isso sem falar das artes plásticas, pois Viena tem uma das maiores coleções de arte do mundo, como as dos museus Albertina e Kunsthistorisches. E, entre uma galeria e um concerto, pare e descanse num dos coffeehouses que compõem a fama da cidade. São dezenas deles, cada um com um estilo, mas todos com cafés e bolos deliciosos para você experimentar.

Conheça o Hofburg Imperial Palace, que, como o nome diz, é onde moraram os imperadores do ex-Império Austro-Húngaro, como os da dinastia Habsburg. Hoje, é residência do presidente austríaco.

Por fim, o palácio Schonbrunn, pertinho do centro. Sua imponência, que data desde o século XVII, é vista de longe. São 1441 aposentos, já foi casa de verão de imperadores, e é um edifício comparável com o palácio de Versailles. O local fica ainda mais bonito na primavera, graças a seu jardim, ao seu labirinto ao ar livre, à sua casa de verão de mármore, e também ao Prevy Garden, o zoológico mais antigo do mundo.

Montanhas de atrações pelos Alpes

Tirol, divisa com a Itália, é o nome da região onde você vai encontrar atrações de ski e esportes de inverno, com muitas opções de rotas tirolesas — aliás, vem daí o nome “tirolesa” e as tradições relacionadas.

Em St. Anton am Arlberg, por exemplo, além de pistas de ski de todas as dificuldades, existem trilhas (especialmente no verão) para os amantes das caminhadas e belas paisagens. Afinal, o local fica num vale belíssimo.

Innsbruck (literalmente “ponte sobre a pousada”), também em Tirol, é um bom local para se hospedar. Além de diversas opções de pistas de ski e esportes na neve pela região, a cidade possui catedrais, museus e muita história para ser contada. Como, por exemplo, a de seu famoso sino, que há mais de quatro séculos dá suas badaladas.

Seefeld, ainda em Tirol, é um centro de ski localizado numa reserva natural simplesmente espetacular. Se você quer praticar suas habilidades na neve e ser premiado com um tratamento de alto padrão, é ali onde ficam alguns dos mais luxuosos resorts austríacos.

Worthersee é um dos locais mais desejados pelos turistas na Áustria. Esportistas vão se aventurar nas canoas de seu grande lago, ou nas caminhadas por suas cavernas. Mas a cidade é mais do que isso. As catedrais quase milenares também são atrativos para todo tipo de visitantes. Para quem curte carros, a cidade ainda possui atrações com modelos de luxo em estradas feitas para conhecer como é dirigir as máquinas mais desejadas do mundo.

E por falar em carros, vale a pena alugar um automóvel e se aventurar pela bela estrada Grossglockner Alpine Road. É pedagiada, mas o preço compensa: o passeio levará você a paisagens incríveis e ao centro de visitas Kaiser Franz Joseph Höhe, com uma vista privilegiada dos Alpes. Mas a estrada só abre de maio a  outubro, devido ao mau tempo do inverno nos meses restantes.

Já se seu orçamento para viagem não permite altos luxos, experimente ficar em Bad Gastein, na região de Salzburg, num vale e vila que são encantadores (foto). Além de opções mais em conta para pistas de ski, você pode descansar os músculos numa de suas casas de banho quente, atração local.

Apaixonados por História

Graz é a segunda maior cidade austríaca, e é um destino ideal se você tem a mente aberta e se identifica com a energia jovial das universidades. A cidade tem seis delas, com 44.000 universitários perambulando por suas ruas, cafés e museus.

Graz é conhecida como “City of Culinary Delights”, ou seja, também é uma parada obrigatória para ter experiências gastronômicas de primeiro mundo. Aproveite e compre comidas sazonais, que movimentam bastante os seus mercados: óleo de semente de abóbora, salsichas artesanais, além de guloseimas feitas com as famosas styrian apples (maçãs de Styria, região de Graz conhecida por ser rica em diversos sais minerais).

Continuando nossa viagem histórica, a abadia de Melk, na cidade de Melk, se localiza às margens do rio Danúbio. Este é um dos mais famosos monastérios do mundo, residência de Leopoldo II (século XI) e com estilo barroco na arquitetura. Localizado no topo de um morro, oferece ainda uma bela vista da paisagem.

Não longe dali, ainda pelo rio Danúbio, fica o Vale de Wachau, uma parada para apaixonados por vinhos. Ricardo Coração de Leão e o Duque Leopoldo V têm passagens memoráveis no local, e a cidade faz questão de lembrar deles em uma de suas centenas de referências históricas.

Salzburg é outra cidade que merece sua visita. Também tem muito de música clássica, pois a é berço de Wolfgang Amadeus Mozart, orgulho da nação. Faça o tour “The Sound of Music” e apaixone-se por este local cercado pelos Alpes. Além disso, possui um centro histórico apaixonante e uma fortaleza medieval no alto de uma encosta que pode ser vista de qualquer canto da cidade.

Ainda em Salzburg, conheça o castelo medieval de Hohensalzburg, um dos mais bonitos da Europa. Além de uma bela vista das montanhas, possui uma atração especial: o Salzburg Bull, órgão construído com mais de dois mil tubos. Haja percepção musical para tanto som.

Por fim, uma curiosidade: Salzburg significa “fortaleza do sal”. Isso porque a região enriqueceu graças às suas minas de sal, que, à  época medieval, era um dos produtos mais caros do mundo. Uma sugestão de estadia para Salzburg é um resort em  Salzkammergut, cercado de montanhas e lagos que darão à sua viagem uma memória inesquecível.

E não deixe de visitar o vilarejo de Hallstatt, também em Salzkammergut, pois é um local mágico. Sua glamourosa arquitetura barroca, às margens de seus lagos e ao pé das montanhas, dá ao local uma cara de cenário de um filme de época. Possui, além da vista de cair o queixo, uma caverna subterrânea pré-histórica, que é uma das atrações turísticas de maior orgulho para o país.

E a Revista Digital faz questão de terminar o post da Áustria com essa menção porque um especial que vem aí é justamente sobre… o sal! Escreveremos sobre a história do ingrediente, como ele transformou as relações humanas, além de curiosidades a respeito. Fique de olho nos próximos posts, e até a próxima!

 

Fontes:

http://www.touropia.com/

http://www.roughguides.com/

FOCO NA REGIÃO

Suíça: Esportes de Inverno e Seleção de Resorts

No verão, as cidades lotam; no outono as folhas caem com os preços dos hotéis; na primavera, vemos as mais lindas paisagens; no inverno, muita neve e o melhor do esporte no gelo. Em resumo, esta é a Suíça, país que foi tema de alguns posts na Revista Digital da Spïcy em abril. Neste último texto você confere os melhores destinos para praticar esqui, snowboard, outras atividades exclusivas das montanhas alpinas, e algumas curiosidades sobre os esportes populares do país.

Esqui, snow e hóquei: três paixões nacionais

O esqui na Suíça é como o futebol para os brasileiros. Desde cedo — estamos falando de três, quatro anos de idade — os nativos aprendem a esquiar nas centenas de opções de pistas que o país possui. O esporte é também parte da cultura local, pois é uma atividade relacionada à história do país, à consciência nacional e ao mito das montanhas.

As cidades de Zermatt, Verbier, Davos, Laax e St. Moritz são as mais procuradas por visitantes. Nos cantões de Valais e Grisões, onde existem a maioria dos resorts de inverno, o esqui chega a ser importante componente econômico da região.

Os primeiros clubes de esqui surgiram entre 1893 e 1901. Na década de 50, com o advento dos transportes, que passaram a ligar estações de esqui, regiões montanhosas e diversos pontos estratégicos, o esporte se popularizou mundialmente, e o país então passou a ser muito visitado por causa disso.

O snowboard é outra modalidade bastante popular, principalmente entre os jovens. A Suíça possui vários campeões mundiais e medalhistas na modalidade. Pudera: com tantas pistas de treino, não poderia ser diferente.

O hóquei no gelo é outro esporte que mexe com os helvéticos. Seu time mais conhecido é o HC Davos. Existem mais de 1.200 clubes, que disputam em torno de 16.000 jogos por ano, com média de público de 6.600 pagantes. O time de Berna possui um ginásio cuja média de público é de 16.000 pessoas por jogo. Muitos jogadores profissionais suíços jogam na liga de hóquei dos EUA, a NHL.

Outro esporte popular, mas não de inverno, é o tênis. Isso porque Roger Federer popularizou a modalidade graças às suas conquistas. O tenista é o embaixador da Jura, empresa especializada em produzir máquinas de café espresso, como este micro modelo que produz cafés com qualidade de barista. Deu água na boca? Então aproveite a deixa para tomar seu cafezinho, porque agora o que vai dar é a adrenalina nas veias.

Os principais destinos para quem curte as emoções da neve

Abaixo seguem onze dos principais resorts para os turistas de inverno. A maioria se localiza nos cantões de Valais (sul, fronteira com Itália) e Grisões (leste, fronteira com Áustria). Todas as opções oferecem pistas de esqui, portanto listamos apenas aquelas que se destacam também por outros quesitos além das pistas. Confira:

Arosa (Grisões): extensa área montanhosa; no verão é o paraíso das trilhas e, no inverno, dos esportes invernais, com 225 Km de pistas. Bate bastante sol e é livre de ventos fortes, o que faz dela uma estância famosa há mais de um século. Uma vantagem de Arosa é o cartão All-Included exclusivo da cidade, que dá acesso a todas as atividades por preço único.

St. Moritz (Grisões): uma das estâncias mais conhecidas e visitadas. Além de berço de turismo alpino em 1864, o local é estância de águas termais há três milênios, possui uma ótima infraestrutura (como o parque de lazer de inverno) e uma gastronomia de alta qualidade. St. Moritz já foi sede de duas edições dos Jogos Olímpicos de Inverno, o que quer dizer que todas, todas as modalidades de esporte na neve ou gelo serão supridas em sua visita.

Silvaplana (Grisões): por localizar-se num platô, possui estruturas como um completo ginásio de esportes de gelo, pistas de caminhada, acesso a St. Moritz, longos tobogãs de neve e atividades especiais, como a Semana da Noruega, o Festival da Raquete de Neve e a Coppa Romana (evento de curling), todas entre dezembro e janeiro.

Pontresina (Grisões): casais aventureiros e/ou esportistas vão se encantar com esta vila construída no estilo Belle Époque e cercada de paisagens pinheirais típicas de cenário de filme. Lá fica uma das descidas com maior inclinação dos Grisões (86%). Também conta com um parque aquático, atividades de arvorismo e uma montanha panorâmica com uma jacuzzi a 3.000 m de altitude.

Samnaun (Grisões, literalmente fronteira com Áustria): é uma região propícia para trilhas e montain bike, ou seja, vale a pena visitar no verão. Mas é popular também por conta de sua isenção de impostos, o que faz dela um paraíso de compras, inclusive de artigos de esqui e snowboard no inverno.

Aletsch Arena/Riederalp (Valais): snowboard, esqui e esqui nórdico são todos contemplados nessa região com cara de imenso parque temático e próxima a uma famosa geleira. São 35 teleféricos e pistas de todos os níveis de dificuldade, sendo algumas das pistas trajetos que levam diretamente até sua pousada. É o 1º Patrimônio da Humanidade da UNESCO localizada nos Alpes.

St-Luc (Valais): o resort está localizado numa encosta que recebe muito sol e proporciona panoramas espetaculares. Experimente o bungee-jump nessa região e não se arrependa. Tem até um observatório astronômico, e fica próximo de uma vila medieval chamada Fang.

Thyon (Valais): um resort adequado tanto às famílias, por causa dos diversos cursos de esqui destinado às crianças, quanto para os esquiadores, pois a região, que é porta de acesso aos  famosos Quatro Vales, possui mais de 400 Km de pistas e 90 teleféricos. Só Thyon tem dez deles, com alguns que acabam diretamente na vila onde os turistas se hospedam.

Blatten-Belalp (Valais): esta é para quem busca uma opção que agrade tanto à adrenalina quanto aos olhos. Seus vales férteis e o apego dos locais aos costumes e tradições fazem com que a região pareça ser concebida por um artista — e isso inclui seus restaurantes e a bela iluminação noturna das pistas.

Saas-Fee (Valais): outra opção para toda a família, pois possui tobogã noturno, parques temáticos, um famoso restaurante circular, desfiladeiros e centenas de quilômetros de pistas em todos os níveis de dificuldade. Este, que é conhecido como “a pérola dos Alpes”, é um dos quatro vilarejos de Saas, que é cercado por 13 picos com mais de 4 mil metros de altura.

Melchsee Frutt (Lucerna): um resort próprio para famílias, pois fica num local livre de trânsito, à beira de um lago de montanha, e com atrações divertidas para crianças, como o trenó na neve e o carrossel de esqui.

É impossível não se interessar por uma viagem a este país tão organizado e cheio de atrações que vão além do esporte de inverno. Cada local tem uma surpresa, e cada surpresa vai deixar rastros inesquecíveis na sua memória. Continue acompanhando o blog da Spïcy, a Revista Digital, para saber mais destinos inspiradores pelo mundo afora. Até o próximo post!

 

Fontes:

http://www.myswitzerland.com/pt/

https://www.eda.admin.ch/

FOCO NO INGREDIENTE

Spicy Spicy: Um especial sobre pimentas

Aquele garoto é um pimentinha. Pimenta nos olhos dos outros é refresco. Dar uma apimentada na relação. Quente como pimenta.

De suave a picante, de coadjuvante a protagonista, a pimenta tem um lugar especial tanto na culinária quanto na cultura geral. Não é por acaso que tantas expressões em diversas línguas se referem às tais especiarias, pois, afinal, as pimentas de fato são o puro fogo condensado em forma de alimento.

A maioria das pimentas conhecidas e popularizadas têm origem nas Américas, como Brasil, México e Peru. No entanto, são os tailandeses e coreanos que mais consomem as pimentas no mundo. Por aqui, o consumo médio é de meia grama de pimenta por dia; na Tailândia chega a ser dez gramas por dia, por pessoa.

Apesar de a pimenta thai ser uma espécie do sudoeste asiático, a maioria dos tipos de pimenta chegaram à Ásia por causa das grandes navegações dos séculos XV e XVI. Com o comércio de especiarias, as pimentas ganharam legiões de fãs em todo o planeta, já que elas incrementavam o tempero das refeições e ainda traziam benefícios à saúde. Aliás, será que “especiarias” vem de “spicy”?

Curiosidades técnicas sobre pimentas

As pimentas são as plantas Solanaceae Capscicum, ou simplesmente “capsaicinoides”, e existem em quase trinta variedades distintas. Elas são classificadas de acordo com a Escala Scoville, que surgiu em 1902 com um método bem curioso: a escala mede quantas xícaras de água são necessárias para disfarçar o sabor de uma xícara da pimenta.

Ou seja, uma pimenta de 500 SHU (Scoville Heat Unit) precisa de 500 xícaras de água para disfarçar o sabor picante de uma xícara da mesma espécie de pimenta. Uma pimenta dedo de moça tem de 5 mil a 15 mil SHU; a jalapeño, tradicional no México, varia de 3 mil a 8 mil; a malagueta varia de 50 mil a 100 mil; já as pimentas mais inflamáveis do mundo recebem o nome de Trinidad Scorpion Butch T (1,4 milhões de SHU) e Trinidade Scorpion Morouga (2 milhões de SHU). Estas são tão fortes que, para manuseá-las, é recomendado uso de luvas e máscara para o rosto. No entanto, desafio mesmo acontecem nas manifestações: os sprays de pimenta têm concentração de 2 a 5 milhões de SHU.

Outra informação interessante é que “apimentado” não é um sabor, como o doce, o salgado, o azedo e o amargo. Na verdade, apimentado é uma sensação, pois as pimentas possuem substâncias que ativam os nociceptores polimodais, que existem não só na boca e nariz, mas no corpo todo. Estes receptores enviam ao cérebro a informação que o corpo está se queimando, e por isso começamos a suar e sentir acelerar o batimento cardíaco.

É por isso também que o ser humano torna-se resistente à pimenta: o cérebro vai descobrindo que aquela sensação na verdade é um alimento, não um perigo. Não é à toa que brasileiros e mexicanos são mais resistentes às pimentas.

Mostarda e wasabi também têm sabor “apimentado”, no entanto suas moléculas de picância (isotiocinatos) são menores e mais leves que as das pimenta (alquilamidas), e por isso o nariz costuma sentir seus efeitos.

A pimenta do reino não é de fato uma pimenta, e sim uma planta “apimentada”, pois é do gênero piperina.

Benefícios da pimenta

Quando consumidas frescas, as pimentas proporcionam boas doses de vitamina C, vitamina E, carotenoides (que estimulam a produção de vitamina A), além da capsaicina, substância típica das capsaicinoides e que é termogênica.

A combinação de nutrientes e a quantidade encontrada nos tipos mais comuns de pimenta é o suficiente para afirmar que as pimentas Solanaceae capsicicum são:

  • antimicrobianas
  • antiinflamatórias
  • anticancerígenas (em especial contra câncer de próstata)
  • auxiliares da digestão
  • termogênicas (aumentam o metabolismo e ajudam a emagrecer)
  • combatentes da hipertensão
  • afrodisíacas

Elas só não são recomendadas para quem sofre de hemorroidas e gastrite. O consumo  diário, portanto, deve ser avaliado de acordo com seu organismo.

As pimentas mais populares no Brasil

A Revista Digital listou os tipos mais conhecidos entre os brasileiros, de acordo com a potência da pimenta.

  • pimentão muitas vezes nem chega a ser apimentado; ao contrário, é adocicado;
  • A pimenta biquinho é tão suave que pode ser consumida pura e inteira na boca;
  • cambuci (chapéu de frade) é um tipo adocicado e muito consumido no país;
  • jalapeño e sua versão ressecada e mais picante, que é a pimenta chipotle;
  • A pimenta dedo-de-moça é levemente picante, e é utilizada no preparo da calabresa;
  • A pimenta bode, que varia de média a muito picante;
  • pimenta-de-cheiro, que varia tanto na cor quanto na sensação (suave até picante);
  • cumari-do-pará e a cumari verdadeira são umas das brasileiras mais picantes;
  • tabasco (que possui variações mais fracas e outras bem apimentadas);
  • e a pimenta malagueta, muito usada no preparo do acarajé, prato que faz parte da cultura baiana.

Hoje, graças a diversas técnicas de gastronomia e manuseio, as pimentas podem ser preparadas em conservas, molhos, azeites, geléias, bombons, trufas e até chocolates. O limite é a sua criatividade: experimente preparar um alho moído com pimenta para ver o sabor que vai ficar na carne.

 

 

Fontes:

http://gq.globo.com/

http://www.bonde.com.br/

http://www.minhavida.com.br/

FOCO NA REGIÃO

Cidades e roteiros: a Suíça apaixonante

A Suíça é um país charmoso, belo e muito civilizado. Duas de suas melhores cidades são Zurique e Geneva, que de tão humanizadas estão na lista das cinco melhores cidades para se viver, segundo ranking de 2013. Mas a Suíça ainda tem muito mais. Embarque nesse especial e confira os locais que mais valem a pena de se visitar em sua viagem ao país helvético.

(Este post dá continuidade à série sobre a Suíça. Confira os textos anteriores aqui [link do 1º texto] e aqui.)

Trens: tudo (e somente) o que você vai querer para se locomover

O trem é a principal forma de transporte na Suíça. Impecáveis, pontuais e confortáveis, eles cobrem mais de 5 mil quilômetros de trilhos, o que faz com que a Suíça tenha a segunda maior malha ferroviária do mundo, em proporções relativas ao tamanho do país e área abrangida.

Mas para o turista, o principal atrativo dentre os trens são as rotas cênicas. Alguns passam por vales, pastos ou contornando lagos; outros sobem as montanhas, e é nos trechos mais íngremes que as cremalheiras (rodas dentadas) entram em cena. Uma aventura e tanto, mas sempre segura. Listamos sete trechos abaixo para você considerar em seu roteiro quando for de uma cidade a outra.

  • Glacier Express: o mais famoso, vai de Zermatt a St. Morits (8 horas de viagem)
  • Bernina Express: de Chur a Tirano (4 horas)
  • Golden Pass Line: de Montreux a Lucerna (5 horas)
  • Guilherme Tell Express: de Lucerna a Lugano (5 horas)
  • Palm Express: de St. moritz a Lugano (3 horas e meia)
  • Pre Alpine Express: de St. Gallen a Lucerna (2 horas)
  • Regio Express Lötschberger: de Berna a Brig (2 horas)

Parte Francesa

Geneva (ou Genebra) é famosa por ter, em seu lago, a maior fonte de água do mundo. Mas a charmosa cidade, de arquitetura romanesca, também atrai atenção pelos restaurantes, museus e cena artística. No centro antigo, visite a Catedral de São Pedro e tenha, do alto de uma de suas torres, uma bela vista da cidade, das montanhas e de seu belo lago glacial. Outras atrações: Museu Etnográfico, Museu do Relógio; Grande Teatro de Geneva; Jardin Anglais; e a Fábrica de Relógios (Watch Industry).

Não longe dali, a apenas um cruzeiro de lago de distância, está Montreux, que, como dito no post anterior, tem em suas proximidades o Castelo de Chillon. A pequena cidade atrai muita gente tanto em julho, durante o seu conhecido Festival de Jazz, quanto em dezembro, para os eventos de Natal (Montreux Noel Christmas).

Em Lausane você deve visitar o Museu Olímpico, a Catedral de Lausanne, o Palácio de Runine e o Teatro da Cidade. Ainda na parte francesa, há alguns festivais locais bem animados, como o Marches Folkloriques, em Vevey, e o Foire de Martigny, na região de Valais.

Basileia (ou Basel) é a cidade mais acessível para quem vem de trem pela França. Estando lá, aproveite para conhecer a universidade antiga e o urbanismo da cidade que tem um importante papel mercantil na história da Europa. Basileia tem bastante inspiração artística (vá ao Art Museum), em especial na primavera, quando acontecem feiras de arte ao ar livre. Conheça também: o Museu da Música; a Ponte Mittlere; o Museu de Arte Antiga; o Zoológico; a Catedral da Basileia; e o festival Fasnatcht, carnaval que atrai milhares de pessoas festejando em fantasias na segunda-feira após a quarta de Cinzas.

Berna é uma cidade mais central, e portanto é destino de muitos roteiros que cruzam a Suíça. E mesmo se não fosse próxima, ainda teria motivos: a cidade é uma das preferidas pelos turistas pois além de ter sido construída em tempos medievais (século XI), suas ruas arcadas são belíssimas, consideradas patrimônio histórico pela Unesco. Seu principal apelo é histórico, pois suas maiores atrações são museus: o Museu Histórico; o Museu de História Nacional; o Museu de Belas Artes; o Museu Alpino Suíço; e a Casa de Einstein.

Parte Alemã

Zurique é a maior cidade suíça. Seu estilo arquitetônico gótico é bem interessante de ser apreciado nesta cidade tão cheia de civilidade. Um dos melhores passeios dela é a caminhada em torno do lago da cidade, além de Lindenhof, que oferece uma bela vista da cidade. Visite o centro antigo e sua catedral (Grossmünster), o Museu de História Nacional, o jardim botânico e, se for um apreciador das artes, o museu de arte contemporânea (Kunsthaus).

St. Gallen é uma cidade antiga que possui um centro com ares bastante medievais. Sua catedral, sua arquitetura e os afrescos de diversas construções são uma verdadeira imersão no tempo. A Abbey Library é famosa pelo estilo rococó e foi tombada pela Unesco. Uma das partes mais interessantes no norte do país.

Parte Italiana

Ticino é uma das cidades “italianas” da Suíça mais visitadas. Lugano e Locarno também têm seu próprio charme, mas é em Bellinzona que você vai apreciar uma verdadeira experiência ítalo-suíça: o festival de risotos e salsichas, que acontece em fevereiro. A parte italiana é a menos acessível do país, no entanto vale a pena conhecer esta faceta se você dispõe de tempo para visitar a região.

Sugestão de roteiro

Segundo o site de dicas turísticas Viaje na Viagem, a receita simples para quem quer conhecer a Suíça em poucos dias é: 1) uma cidade de beira de lago, como Geneva e Zurique; 2) um vilarejo de montanha; 3)Berna; 4) e o trajeto deve ser feito de trem panorâmico ou de trem de montanha, para que o percurso também seja a atração principal da viagem. Tendo tempo para mais uma cidade, prefira conhecer uma que seja de regiões diferentes (uma da parte francesa, e outra alemã, por exemplo).

Outra sugestão, e do site Segredos de Viagem, é uma viagem que começa em Basiléia (1 dia), vai a Zurique (3 dias, um dedicado a St. Gallen), depois Lucerna (2 dias, um dedicado ao Monte Pilatos), depois passando por Interlaken (dois dias de vistas maravilhosas), voltando para Berna (1 dia) e finalizando em Geneva (3 dias, sendo um para conhecer Montreux de barco).

Observação: o uso do Swiss Pass, que é um bilhete que serve para trem, bonde, ônibus, barco e transporte público, só vale a pena dependendo da quantidade de dias e pessoas que viajarem com você. A conta na ponta do lápis é complexa e tem muitas variáveis, como a época do ano e a antecedência da compra, mas existe uma matéria dedicada só para isso. Confira abaixo um link externo que leva para uma página com informações completíssimas sobre as vantagens da aquisição.

No próximo artigo da Revista Digital você conhecerá as principais atrações de inverno para quem quer ir à Suíça praticar esqui e outros esportes de neve. Aguarde!

 

Fontes:

http://segredosdeviagem.com.br/

http://www.viajenaviagem.com/

http://www.viajenaviagem.com/2013/09/roteiros-trem-suica-swiss-pass/

FOCO NA REGIÃO

Muito mais sobre a Suíça

Relógio suíço, chocolate suíço, queijo suíço, banco suíço. O país pode até ser pequeno, mas, onde a Suíça vira especialista, deixa sua marca registrada. O país helvético, porém, reserva diversas atrações para o turista que pretende visitá-lo na próxima viagem. Com tantos lagos, montanhas e vida cultural, existem razões de sobra para você encher seu roteiro de atividades, não importa se você vai sozinho, a dois ou com crianças em família. Quer saber mais? Continue a leitura.

Suíça: linda de natureza

Há exatamente um ano a Revista Digital fazia um especial sobre a Suíça, sua geografia, estilo de vida, cultura e os segredos de seu famoso chocolate (confira artigo aqui). Uma das principais características do país localizado na região dos Alpes é a paisagem. Se você ainda não se convenceu de que a mãe natureza é fantástica, é na Suíça que você se converterá. Qualquer trecho entre cidades, ou mesmo qualquer resort, vai proporcionar vistas incríveis de lagos, montanhas nevadas, pastos e vilazinhas.

As fotos que você vai tirar dispensam filtros; e seus pulmões vão se sentir renovados com a qualidade do ar fresco dos vales e montanhas. Com tanta paisagem bonita na Suíça, os passeios ao ar livre, como caminhadas e trilhas, não devem ser subestimados nem pelos turistas mais jovens e noturnos. Experimente a trilha do lago Zermatt, Graubunden ou a trilha histórica do lago Lucerna. Amantes da natureza devem conhecer o Swiss National Park, que, além de reunir lindas montanhas, lagos, florestas e pastagens, ainda chama atenção pela vida selvagem preservada.

Outra opção mais expressa para conhecer tanto deslumbre é pegar um trem que cruze certos trechos do país. Como dito antes, qualquer um deles renderá vistas inesquecíveis. Mas se você quer mesmo se surpreender, pegue um Glacier Express ou Bernina Express. Estas companhias oferecem trens com janelas panorâmicas e retardam o passeio justamente para dar tempo de você esgotar seu cartão de memória da câmera.

As montanhas alpinas são outro forte atrativo, mesmo que você não esteja lá para esquiar, como boa parte dos turistas. Existem opções para passeios de trenzinhos, teleféricos e até escaladas de todas as dificuldades. Uma das montanhas de neve mais populares e versáteis em termos de oferta de atividades é a do Monte Pilates (2.120m). Já para os mais ousados, o Matterhorn, em Zermatt, é o pico mais alto dos Alpes (4.478m); ele também possui um teleférico, atividades com ou sem esqui, além de reservar dois motivos extra para a visita: a cidade não possui carros, e a vida noturna é movimentada.

A maior queda d’água da Europa fica na Suíça. São as Rhine Falls. Além da vista estonteante das cachoeiras de água glacial, existem outras opções que pegam carona no atrativo da paisagem: trilhas, tours, e também a visita ao castelo local, em Schaffhausen.

Os lagos glaciais são outra delícia do país. Existem diversas companhias que oferecem o passeio de barco, então não tenha medo de tomar um mini-cruzeiro. O lago Geneva é um dos locais com maior oferta de cruzeiros. Você pode inclusive fazer parte do trajeto por meio dos lagos, como indo de Geneva a Montreux. Existem opções customizadas, que podem incluir roteiros históricos, como a viagem de Guilherme Tell em Lucerna, ou com paradas gastronômicas com as visitas a vinículas que margeiam os lagos.

Um dos principais passeios do lago Geneva é a visita ao Castelo de Chillon. Além de ter um visual imponente, vale a pena passar o dia descobrindo, em seus tours específicos, os afrescos, a arquitetura, a decoração, a mobília e até os calabouços do castelo.

Retiros e spas

O forte contato com a natureza faz com que a Suíça possua uma grande oferta de spas e resorts. Um dos retiros mais conhecidos é o da menor cidade suíça: a vila Chateau d’Oex, próximo ao lago Geneva. É o repouso ideal para almas que gostam de atividades outdoor e também balonismo, que é praticado na região. Outras opções de retiros: Wengen, Murren e Gandria.

O viajante que dispõe de mais recursos poderá esbanjar luxo em St. Moritz. Este é um verdadeiro “playground”, um resort que oferece todo tipo de atividade que você pode esperar na Suíça: esqui, esportes de inverno, banhos em águas minerais glaciais, terapias com lama das montanhas, spas, além de restaurantes finos e vida noturna agitada. Prepare a carteira.

Queijos e vinhos: conheça o país com gastronomia no pacote

Anote essa dica: a Suíça possui muitas boas e ótimas vinículas locais, com rolhas que não são exportadas. Aproveite, em especial as que margeiam os lagos, como em Ticino, Valais, Vaud e ao longo do lago Geneva.

E por falar em experiências gastronômicas, a Suíça faz bom proveito de seus atrativos. É claro que você vai provar uma das especialidades do país, que é o foundue. Se você passar por Friburgo, não deixe de provar a variação do prato: o queijo é feito num mágico amálgama entre gruyére local, vinho, toques de outros queijos, além de temperos, como o alho macerado, que libera sabores mais delicados da especiaria. (Confira neste link um espremedor de alho importado de marca suíça feito para atender à mais alta qualidade das receitas típicas, sem ter que descascar o dente de alho, ou seja, sempre útil ter no seu rol de utensílios de cozinha.)

Para quem quer imergir numa experiência chocólatra, este é o país ideal, pois só na Suíça o chocolate business é levado a sério, seguindo uma receita que chega a ser arte. A visita mais conhecida é na fábrica da Nestlé (Calier Factory), mas as chocolaterias Sprungli e Teuscher (Zurique), Poyet (Vevey) e Martel (Geneva) vão oferecer uma experiência mais gourmet. Mas fica o alerta: depois de um chocolate suíço, só um belga para fazer páreo.

Vai viajar com crianças? Então visite uma das fazendas e leve-as para conhecer as vaquinhas mais bem-de-vida do mundo: elas são bem alimentadas e tratadas para produzir o melhor leite possível. Muitas fazendas, mesmo pequenas, agendam visitas e tours guiados. Uma simpatia para os pequenos viajantes.

Outro atrativo do país é a facilidade de encontrar museus, galerias e opções para fruir da arte contemporânea. Mas esse é um assunto para o próximo post, onde a Revista Digital fará uma descrição mais detalhada das cidades e seus altos pontos turísticos. Se você quer saber mais sobre a Suíça, incluindo seus esportes de inverno, continue acompanhando o blog da Spïcy nesse mês da Páscoa. Fique de olho nas atualizações das próximas semanas!

Fontes:

http://www.fodors.com/

http://www.expatica.com/

http://www.worldtravelguide.net/

http://www.timeout.com/

FOCO NA REGIÃO

Holanda: tolerância, desenvolvimento e muito charme

Os Países Baixos têm esse nome porque metade de seu território atual tem altitude abaixo da linha do mar, portanto já foi ocupado pelo Mar do Norte. Mas os holandeses, que estão entre os melhores engenheiros hídricos do mundo, conseguiram expandir suas terras e protegê-las das águas; não por acaso os moinhos de vento são um dos símbolos do país.

Hoje, as áreas “conquistadas” são bastante povoadas e urbanas, com excelente sistema de transporte e infraestrutura. A Holanda é um dos países mais desenvolvidos do mundo, sempre no topo dos índices econômicos e sociais, e com maioria de habitantes que também falam o inglês.

É por isso que ela vale a visita. Mesmo sendo um país pequeno, possui atrações exclusivas, seja na vida noturna, na cultura, nas atividades familiares ou mesmo no bucolismo de algumas de suas paisagens. O interessante de descobrir na Holanda é que o apego às tradições locais é grande; cada cidade tem uma cara, e este é um dos países com maior número de sotaques para a mesma língua.

Confira agora com a Revista Digital os locais que você deve conhecer em sua viagem ao país que é muito mais que Amsterdã e o time que veste cor laranja.

Amsterdã: principal motivo para a maioria dos turistas

A cidade não é apenas o ícone cosmopolita holandês. É bem verdade que ela atrai muitos jovens em busca da experiência dos coffee shops, mas a capital holandesa, mais que um pólo de turismo europeu, representa a visão mais progressista e tolerante do continente.

Por exemplo, no transporte. A cidade, que é plana, prioriza as bicicletas; nas ruas passam bondes, ônibus, bikes, motos, pedestres e carros, sendo que os automóveis são a última prioridade de passagem.

Lá as liberdades individuais também são muito respeitadas; aparentemente o sexo e o comércio de drogas (em pequenas quantidades) não é tabu entre os holandeses da capital, que possui até um Museu do Sexo. E por falar em ausência de tabus, com a mesma naturalidade são aceitos um Red Light District (zona de prostituição a céu aberto) e também um charmoso Begijnhof (vilarejo católico repleto de história, inclusive de milagres). O movimento gay também é bastante presente e aceito. Amsterdã é uma lição de civilidade e tolerância.

A cidade possui uma vida noturna bastante intensa, com diversos bares e clubes. Vale conhecer os bairros de De Pijp e Jordaan, bem movimentados. No entanto, ela não se resume a bebedeira e albergues jovens. Há muitos restaurantes finos e hoteis interessantes.

Amsterdã possui museus de coleções ou temas exclusivos, como o museu de Anne Frank, o de Van Gogh e o Rijkmuseum. A cultura também é bastante valorizada, e a cidade possui uma das cenas mais contemporâneas das artes da Europa.

Outras regiões dos Países Baixos

Mas se engana quem acha que visitar Amsterdã é o bastante para conhecer a cara da Holanda. Há muitas outras cidades com charme muito próprio, como Haarlem, Delft, Roterdã e The Hague. Estas são cidades que ocupam o oeste do país. Roterdã, por exemplo, tem o Mercado Municpal (já mencionado no post anterior), um zoológico incrível e uma bela arquitetura para ser apreciada.

Ao norte dos Países Baixos a principal atração são as Frisian Islands. Elas separam o Mar do Norte da “costa” holandesa. É um local bucólico, cheio de resorts, e que fica repleto de famílias durante o verão. Nesta região, a cidade de Groningen se destaca por sua atividade cultural.

Ao sul se localizam as cidades históricas e alguns locais mais antigos. Nijmegen, curiosamente, reúne essa característica com o ar jovial dos universitários locais. Arnhem é outra cidade interessante de conhecer. É nessa região também que fica o parque nacional Hoge Veluwe (mais detalhes abaixo).

E para quem gosta de grandes obras da humanidade, no extremo sul do país há o museu do Delta Project, que é o complexo sistema de engenharia que protege as terras baixas das águas do mar. Nas proximidades ficam as cidades de Eindhoven (sede da Philips) e Maastricht, uma cidade bastante cosmopolita.

As principais atrações da Holanda

A Revista Digital selecionou as atividades que vão dar a verdadeira experiência holandesa. Se seu objetivo é gastronomia, confira os posts anteriores dedicados ao tema. Abaixo, uma lista dividida conforme o tipo de atração: cidades, passeios ou museus.

Museus:

  • A cidade de Den Haag (The Hague) tem restaurantes AA, é a sede do governo holandês e possui dois museus interessantes: The Binnenhof e Mauritshuis.
  • Frans Hals Museum, em Haarlem, possui uma bela coleção de obras dos pintores da Era de Ouro, como Rembrant.
  • Anne Frank Museum (Amsterdã) é dedicado à vida da copeira que virou símbolo da resistência judia contra os ataques nazistas.
  • Van Gogh Museum (Amsterdã) é simplesmente o maior e melhor acervo do pintor que é um dos maiores nomes do Impressionismo. Imperdível.
  • Kroller Müller Museum fica no Hoge Veluwe National Park. Trata-se de uma galeria de arte e esculturas num belíssimo jardim a céu aberto.

Passeios

  • O Hoge Veluwe National Park possui bosques de florestas e é o local ideal para pedalar com a família.
  • The Biesbosch é um local pantanoso, mas muito agradável, cujas principais atrações são os passeios de bote e canoa.
  • As Frisian Islands, ao norte, são cheias de dunas com trilhas ideais para quem busca belas e inusitadas paisagens.
  • Ali mesmo nas Frisians Islands há o Wadlopen, uma atração que com certeza a criançada não vai esquecer. Trata-se de uma caminhada literalmente na lama, durante a maré baixa de Mainland.
  • Também ao norte, no inverno, acontece o The Elfstedentocht. Alguns canais ficam congelados e permitem as famosas corridas e competições de ski sobre o gelo.
  • Keukenhof Gardens é o local onde você vai se encantar com as mil cores dos campos de flores, com os famosos narcisos e tulipas. A época ideal é primavera, em especial nos meados de abril. Uma das visitas obrigatórias da Holanda.

Cidades

  • Passeio nos canais de Amsterdã. Contrate o serviço de um dos canoeiros ou barqueiros espalhados pela cidade e conheça a região de um outro ponto de vista. Aproveite e faça um piquenique no próprio barco, e não deixe de visitar a região mais a leste, onde é possível apreciar grandes obras arquitetônicas da cidade.
  • Ciclismo em Amsterdã. Esta é uma das cidades europeias mais amigáveis à bicicleta. Você pode fazer passeios tanto por dentro da cidade quanto saindo da zona urbana, uma vez que a região é bastante plana.
  • A arquitetura da bela cidade de Roterdã, sua vida noturna e o Mercado Municipal valem a visita do viajante.
  • Utretch também possui canais para passear, e ótimos restaurantes para experimentar um bom prato holandês; é uma opção mais relax para quem quer esse tipo de atividade evitando o agito de Amsterdã.
  • Em todas as cidades é possível provar a cozinha indonesiana. Depois da própria Indonésia, a Holanda é o melhor país para experimentar sua peculiaridade.
  • Maastricht é uma cidade ao sul que possui uma atmosfera bastante tradicional, sem perder a modernidade holandesa.
  • Delft possui um dos melhores mercados europeus, e não à toa recebeu muitas elegias do pintor Vermeer.

É por esses e outros motivos que a Holanda é uma joia a ser visitada pelo viajante que vai à Europa. Mas na Revista Digital ainda falta um texto sobre os Países Baixos. Confira na próxima semana o especial sobre um filme que se passa no país e que já inspirou muita gente nos cinemas. Até lá!

 

Fontes:

http://www.holland.com/br/turismo.htm

http://www.roughguides.com/